12 de julho de 2018 às 02:00

Em três meses como prefeito, Covas concentra atividades no gabinete

Nos três primeiros meses à frente da Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) realizou mais compromissos de gabinete do que atividades nas ruas, aponta levantamento feito pelo Agora, jornal do Grupo Folha, que edita a Folha, com base na agenda pública

Nos três primeiros meses à frente da Prefeitura de São Paulo, Bruno Covas (PSDB) realizou mais compromissos de gabinete do que atividades nas ruas, aponta levantamento feito pelo Agora, jornal do Grupo Folha, que edita a Folha, com base na agenda pública do tucano entre 7 de abril, quando ele assumiu o cargo, e a última terça, dia 10 de julho.

No período analisado, Covas participou de 72 eventos externos envolvendo assuntos relacionados à cidade. Os principais foram inaugurações e vistorias de serviços oferecidos à população, como ações de zeladoria, visita a obras e entrega de unidades habitacionais.

Ele ainda compareceu a cerimônias e homenagens, como a 45ª Edição do São Paulo Fashion Week e a celebração aos Mártires Armênios do Genocídio de 1915. Se contados os encontros com veículos de imprensa e instituições relacionadas ao município, são mais 12 atividades.

Covas realizou ainda 265 compromissos em seu gabinete e na sede da prefeitura. A maior parte é formada por despachos, reuniões com representantes da sociedade, empresários e políticos. Proporcionalmente, as atividades na prefeitura correspondem a 73% do total, enquanto as na rua, a 21%.

Em comparação com o antecessor, João Doria (PSDB), Covas foi menos para a rua (queda de 30%), embora o ex-prefeito também tenha ficado mais no gabinete. A reportagem analisou as atividades de Doria nos últimos três meses de sua gestão, entre 5 de janeiro e 6 de abril.

No trimestre antes de deixar o cargo para concorrer ao governo do estado, Doria participou de 120 compromissos na rua. Suas atividades de gabinete chegaram a 330. As coletivas de imprensa e os anúncios de novos programas, na sede da prefeitura, somam mais 18. No entanto, tanto Covas quanto Doria permaneceram 18 dias sem sair do gabinete, despachando ou em reuniões.

Para quem tem um cargo como o de prefeito, o equilíbrio entre as atividades de rua e as de gabinete é ideal, afirmam especialistas.

Rui Tavares, coordenador de pós-graduação em opinião pública e inteligência de mercado da Fesp (Fundação Escola de Sociologia e Política), diz que o perfil pessoal do político tem influência. “Se a pessoa é mais introvertida, isso vai se refletir em seu trabalho como prefeito.”

Rodrigo Prando, professor de ciência política do Mackenzie, diz que Covas ainda está tímido como prefeito. “Ele acabou de assumir e deve refletir sobre quais são as ações a tomar.”

A Prefeitura de São Paulo afirmou por meio de nota que os números mostram que o prefeito realiza em média um compromisso por dia fora do gabinete.

Segundo a gestão, a agenda do prefeito é programada alternando as atividades internas e externas. Além disso, a gestão disse que “por meio dos despachos internos o prefeito também toma conhecimento, orienta e dá direção ao andamento de projetos e obras, sem necessariamente estar na rua”.

Escolhido para coordenar a campanha presidencial de Geraldo Alckmin (PSDB) no estado de São Paulo, o prefeito Bruno Covas (PSDB) disse nesta quarta (11)?que não vai deixar os assuntos da capital de lado. 

“Depois das 18h na semana e durante os finais de semana eu deixo de ser o prefeito para me tornar o militante Bruno Covas”, disse.

Afirmou ainda que haverá coordenadores regionais da campanha pelo estado.

Questionado sobre quem ele indicará para cuidar das demandas do município durante os compromissos com Alckmin em viagens, Covas afirmou que ainda não tomou uma decisão.
 

Fonte: FOLHA

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